Bruno Pereira e Dom Phillips: peritos de Brasília vão para o Amazonas analisar embarcação usada por vítimas

Policiais federais embarcam, nesta quarta-feira (22), para tentar achar vestígios de sangue e detalhes sobre dinâmica do crime. Restos mortais de indigenista e jornalista inglês foram encontrados em 15 de junho.

Peritos da Polícia Federal (PF), em Brasília, embarcam, nesta quarta-feira (22), para Atalaia do Norte, no Amazonas, para dar continuidade nas investigações das mortes do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips. O departamento técnico-científico da corporação vai tentar achar vestígios de sangue na embarcação utilizada pela dupla.

Polícia Civil do Amazonas (PC-AM)

Lancha onde Bruno e Dom estavam foi retirada do fundo de rio, no Amazonas. —

As vítimas desapareceram em 5 de junho, enquanto faziam uma viagem na terra indígena do Vale do Javari (AM). Os restos mortais deles foram encontrados na quarta-feira (15), após um dos suspeitos confessar envolvimento.

A PF informou que dois peritos vão sair do Distrito Federal para tentar detalhes sobre a dinâmica do caso. Para encontrar possíveis manchas de sangue, eles devem aplicar um reagente chamado luminol.

Além disso, os peritos também pretendem utilizar um scanner 3D no barco de Dom e Bruno. O equipamento com laser infravermelho é capaz de medir pontos de densidade e criar representações digitais da realidade.

A ideia é encontrar outros vestígios, como pontos amassados, para identificar se a embarcação bateu ou se há marcas de disparos de armas de fogo. O resultado da perícia deve sair nos próximos dias.

À TV Globo, o perito criminal federal José Rocha de Carvalho Filho explicou que os detalhes serão avaliados pela perícia para montar “o quebra cabeça” dos acontecimentos e, assim, montar a dinâmica dos fatos.

“A embarcação é uma fonte de informação muito interessante. Ela vai ser estudada pela perícia e ali pode ter uma série de dados que podem colaborar para que a gente entenda a dinâmica dos eventos que aconteceram ali, a posição em que eles estavam quando isso aconteceu”, disse o perito.

A polícia localizou a lancha, no domingo (19), a cerca de 20 metros de profundidade, emborcada com seis sacos de areia para dificultar a flutuação, a uma distância de 30 metros da margem direita do rio.

De acordo com os investigadores, foram cinco horas de operação para encontrar a lancha. Além do casco da embarcação, também foram encontrados um motor Yamaha 40 hp, quatro tambores que eram de propriedade do Bruno, sendo três em terra firme e um submerso.

Liberação dos corpos

O Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal, pretende concluir até sexta-feira (24), os exames de DNA feitos nos restos mortais de Dom Phillips e Bruno Pereira para identificação completa dos corpos. Após isso, eles devem ser liberados para enterro pelas famílias.

Os restos mortais encontrados no local das buscas na Amazônia chegaram em Brasília em uma aeronave da Polícia Federal (PF), no Aeroporto de Brasília às 18h34 da última quinta-feira (16). Exames de arcada dentária confirmaram que os restos mortais encontrados eram do jornalista inglês e do indigenista.

Os corpos estavam esquartejados. Em nota, a PF informou que eles foram atingidos por tiros: o indigenista foi baleado três vezes, na cabeça e no tórax, já o jornalista, uma vez, no tórax.

Três suspeitos estão presos pelo crime: Amarildo da Costa Oliveira, o “Pelado”, Oseney da Costa de Oliveira, o “Dos Santos”, irmão de Amarildo, e Jeferson da Silva Lima, o “Pelado da Dinha”. Além deles, segundo a PF, mais cinco homens que ajudaram a enterrar os corpos de Bruno e Dom na mata foram identificados.

A polícia não revelou os nomes, mas eles devem ser indiciados pelo crime de ocultação de cadáver e vão responder as acusações em liberdade, devido o crime prever uma pena inferior a 4 anos.

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