Presença de mulheres na Engenharia cresce mas ainda é desafio para elas

Profissão tem menos da metade de trabalho desenvolvido por engenheiras

O número de mulheres registradas nas áreas de engenharia no Brasil corresponde a 19,3% (199.786 mulheres engenheiras) do total de 1.035.103, no país, mas apenas 15% estão ativas na profissão, segundo o Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (Confea).

Aos poucos, o padrão de gênero presente no campo de trabalho da Engenharia vem sendo rompido, mas ainda é um desafio quebrar o preconceito contra a presença feminina em canteiros de obras e cargos de liderança. Nanci Walter, Engenheira Ambiental e Presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) do Rio Grande do Sul, considera que estar neste cargo é uma conquista mas, acima de tudo, um ato representativo.

“Numa profissão onde a presença dos homens é predominante, ser mulher é um desafio diário. Ser a primeira mulher a presidir um conselho regional é ainda maior. Então, entendo a minha responsabilidade ao ocupar este cargo, que há 87 anos vem sendo gerido apenas por homens. É preciso lembrar que, sim, as mulheres podem exercer a profissão que quiserem e que, assim como os homens, contribuem para a construção do nosso país”, pontua.

Falar sobre igualdade de gênero, equidade salarial continua sendo um tópico relevante no mercado de engenharia. Ampliar e fortalecer o espaço das mulheres na profissão é uma grande missão, tanto no Brasil como também em outros países. Para a presidente do CREA/RS, o passo fundamental para um caminho bem sucedido na área é, acima de tudo, jamais abandonar o sonho. “Desistir não está no vocabulário de quem escolhe engenharia. Todos os dias é um novo desafio e quem escolhe essa carreira vai encontrar alegria na profissão. É preciso ouvir essa nova geração para aprender e entender como as coisas funcionam e, assim, evoluir. A nova geração não vai ser o amanhã, ela já é o hoje”, conclui Nanci.

Para a engenheira mecânica Ingrid Brito, 33, estar inserida na profissão é a realização de um sonho desafiador, pois sempre ouviu que a área era somente para homens. “A minha caminhada acadêmica não foi fácil, os próprios colegas me excluíam de alguns grupos, das competições de projetos interdisciplinares, mas isso tudo não me fez parar no caminho. Quando me formei, foi outra luta para conseguir a colocação profissional. Para não desistir do que sempre acreditei, eu saí do estado onde morava e fui em busca de oportunidades”, conta.

Sabendo que o caminho não seria fácil e que o mercado iria exigir mais dela, apenas por ser mulher, a jovem buscou nas especializações uma forma de superar as dificuldades encontradas no caminho. “Eu sempre precisei mostrar meu potencial todos os dias, para assim construir meu nome como profissional. Busco me especializar em pós-graduações e treinamentos constantes. Assim, enriqueço o meu currículo e, quando as portas se abrirem, estarei preparada, até mais que muitos colegas”, pontua.

Para Ingrid, que também é formada em Engenharia de Segurança do Trabalho, apesar da área da engenharia ser dominada por homens, estar no mercado de trabalho é também fonte de inspiração para outras mulheres. “É preciso tomar a iniciativa, ter ousadia, foco, determinação e muita força de vontade. Eu levanto a bandeira da perseverança e de que você tem condições de ser, fazer, atuar no que desejar. O diferencial é saber o que quer e não desistir nas primeiras dificuldades que surgirem. Fácil não vai ser, mas impossível jamais será”, conclui.

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